sábado, 12 de fevereiro de 2011

Das dores de um pronome pessoal qualquer

É um momento de catar tudo que incomodou, machucou, engasgou.
E os verbos não estão somente no passado.
O ambiente é de gelos, óleo de rícino, chá de boldo e, tudo o mais que, geralmente, só é aceito se for na “marra”.
Um ser encharcado de tudo isso se engasga, não engole e nem cospe.
Fica ali, cada vez mais imóvel,
nada o move,
nem a vontade de acabar com tudo isso (só isso).
Aos poucos, o único movimento, o coloca em posição fetal.

Um feto com síndrome de aborto-provocado-repetitivo-agudo.

Tem que achar um motivo! Nem que seja a tinta azul no papel branco!
Então, que seja!

Forma-se, agora, um arco íris de duas cores.
O vermelho não!
Não há coragem suficiente para gerar essa cor.
Não há motivo (movimento) para descascar nenhuma banana. Então...

Não, não é para seguir o enterro!
Que apareça alguém! Solidário o suficiente para descascar e até mastigar a banana.