quinta-feira, 27 de outubro de 2016

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Os fios brancos...
A fina membrana que guarda o sangue.
O sangue em bolhas muito espessas. Um sangue velho.
O puxar dos fios suave e cauteloso.
São só fios que seguram os dentes.
A tensão se instala e ameaça a suavidade e a cautela.
O puxar dos fios, agora, é o puxar de fios que seguram membranas, que seguram bolhas muito espessas de sangue e que seguram os dentes. Muito brancos!
Agora, o desespero instala-se de vez.
Agora, as mãos trêmulas puxam os fios.
Agora, o puxar dos fios perdeu-se no desespero.
Não há mais suavidade nem cautela.
Os dentes, finalmente caem no mármore barato.
Agora são ovos e quebram-se.
Agora é só a grande gema amarela e linda.
A esperança de ser feliz, agora, está lá, morta, instalada no mármore pobre, e servida à milanesa.
O desespero, agora, em passos corridos que descem a escada, que passam pela porta e seguem sem eira nem beira.

(sentido em 09/07/2012)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Amo-te como amo meu amar 
pela sensação da pele 
quando do sol nas manhãs lá de casa.
Amo-te como amo 
meu sentimento pela música “quem sabe ainda quer dizer amor”.
Amo-te como amo o que sinto
quando as imagens me invadem ao sentir, mais que ouvir
Lô Borges pelas “Chuva na montanha”.
Amo-te como amo 
meu sentimento pelo que falam sobre/pela poesia.
Amo-te como amo o meu querer escrever.
Amo-te, obrigatoriamente, pelo sangue que herdamos.
E pela mágica de Oswaldo Montenegro, 
O peso que obriga, então, fora substituído pela leveza da sensação de ser.
E foi ...
você lembra? 
... durante a festa de sábado em que você levou seu violão ...
assim, que me apaixonei por você.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

pílula de palavras


o que fazer com a dor que nos torna, humanos, demasiadamente, humanos?
Noslin tem razão, porque se esquece desta e é sensível demasiado
"Viver dói"
digo: viver de fato!
tomar a vida do outro
enquanto dor
enquanto angústia
enquanto se conformar por não ter força para lutar.
não saber, sequer o que é força, ou luta
o que acontece?
é isso que é vida?
de dia o esforço de ser criança.
de noite sentir dor por ser criança.
o que há de demasiado humano em mim
pinçaria sua dor, pequeno.
o que fazer com a nossa dor de ser demasiadamente humanos
pequeno ser?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Herança de mãe

E ficou...
O colo que esqueceu a infância.
A voz que acalentava as noites.
O riso descansado na cama eterna.
O canto que acordava as madrugadas.
Filhos e
A invenção do amor pela inclinação musical.


E se perdeu...
O corpo belo de ancas largas.
Os cabelos longos sustentados pela cabeça cansada.
O riso persistente e incansável.
O corpo invadido por animais em metáforas.

Em subconsciência...
A ousadia de se dizer poeta.
O gosto de iniciar versos com letras grandes.
O atrevimento em resistir, insistir e não desistir.


27 de dezembro de ????.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Fui e voltei.
Ainda vivo!
Fui, queimei e voltei.
O caminhar foi arrastado sobre as pedras pontiagudas.
A persistência foi rasgada por grossos espinhos.

Fui e voltei.
Ainda vivo!
Fui, gelei e voltei.
O flutuar perpassou das ondas mornas às mais geladas.
A vontade deslizou nua nas ruas em neve.

Fui e voltei.
Apesar de vivo
Trago restos de vida.
Restaram-me os ombros cansados com o peso do medo
Rejeição antecipada no coração que simula razão
...

E um nome para a desistência.