quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Viagem



"Os dentes do rapaz eram de brancura calma e eram somente isso: brancos." (Nilson)
 
E tudo era belo, e tudo estava certo (por enquanto)
Tudo estava certo e belo
enquanto as lambadas molhadas e salgadas me açoitavam. 
E tudo o que eu via era novo, mas já era meu.
Há muito (não sei quanto) tempo.
E, a partir de agora, toda vez que encontrar dentes tão brancos como os do rapaz e os da moça, cujos dentes lembra(ra)m ovelhas reunidas à balir
saberei que sempre amo e sempre sinto.
Então, está tudo certo mesmo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A música preenche o silêncio

Enquanto o silêncio ainda se instala...
Eu fico com a música.
E a dou de presente.
Esta, em especial, para quem:
ama sem saber a quem
sofre sem saber por quem
chora sem saber por quem
e, acima de tudo, sabe que nem precisa mesmo de alguém.
É para quem sente, para quem vive.

domingo, 1 de maio de 2011

Silêncio I (por outro)

a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z.

"Letras sem suporte e sem mensagem, sem nenhum sentido predeterminado, [vinte e seis] letras do alfabeto esperam o toque amoroso do poeta para refazer sentido no mundo ou dançar no palco lírico". (Willemart)

sábado, 30 de abril de 2011

Silêncio

No momento, me calo.
Não sei se paro de falar ou é o silêncio que invade o espaço.
É um momento de privação.
No momento, falo mas não escrevo.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Das dores de um pronome pessoal qualquer

É um momento de catar tudo que incomodou, machucou, engasgou.
E os verbos não estão somente no passado.
O ambiente é de gelos, óleo de rícino, chá de boldo e, tudo o mais que, geralmente, só é aceito se for na “marra”.
Um ser encharcado de tudo isso se engasga, não engole e nem cospe.
Fica ali, cada vez mais imóvel,
nada o move,
nem a vontade de acabar com tudo isso (só isso).
Aos poucos, o único movimento, o coloca em posição fetal.

Um feto com síndrome de aborto-provocado-repetitivo-agudo.

Tem que achar um motivo! Nem que seja a tinta azul no papel branco!
Então, que seja!

Forma-se, agora, um arco íris de duas cores.
O vermelho não!
Não há coragem suficiente para gerar essa cor.
Não há motivo (movimento) para descascar nenhuma banana. Então...

Não, não é para seguir o enterro!
Que apareça alguém! Solidário o suficiente para descascar e até mastigar a banana.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Solidariedade


No início de uma nobre avenida, surgem, desfilando seus “esbeltos” corpos de meninas, três adolescentes. Enquanto caminham, vão ajeitando as calcinhas para mostrar melhor seus dotes e colocando seus seios em botão à mostra. Uma das calcinhas poderia até servir de coador, a outra já possui certo glamour, pois sua dona, mais experiente, já ganhou o “suficiente” para investir no produto.
Entre alguns poucos carros, que por ali passam no momento, um diminui a velocidade e passa observando. Logo mais na frente ele pára. O casal que está dentro resolve (em pensamento) que a polícia precisa saber o que ali se passa. Um outro carro, com um senhor no volante, passa por ali e olha, e olha e... quase acontece um acidente! Na outra mão vem um carro, desses com um nome difícil de pronunciar, mãe, pai, filhinho de cabelinho lisinho. Filhinha com os dentes branquinhos e olhos azuizinhos. Família cartaz de plano de saúde. Só passam e nem notam que existem pessoas fora do carro. Seus olhos só enxergam pessoas motorizadas, mas, não vale um “fusquinha” qualquer.
Finalmente, alguém que realmente se importa com a situação, passa por elas e logo "percebe" as  meninas. Nessas alturas, o cenário já é bem afastado do centro. Então, não tem muitas opções e, por isso, a cena se destaca.
Uma parada, um sinal solidário, suficiente para que as três recebam a gentileza de uma carona.
As meninas, então, ganharam o café da manhã do outro dia. Um pão, sem manteiga e um gole d´agua.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Pra secar lágrimas


Por acaso minto sobre o que me exala?
       Acaso ela é falsa ou disfarça
            Meu pranto, minha dor, meu odor que incomoda,

Acaso eu não sou        NADA.

Me encara, qualquer coisa, qualquer me, qualquer eu.

As bostas líricas do poeta me banham
e isolada fico, mais que antes.

Por causa do que não disse eu sei agora que
“viver dói” – já sentia muito antes, não, ainda não tinha aprendido a ler.
Um dia (belo) encontrei gravado em paredes da caverna, uma escrita em letras pretas ornamentadas de restos de embalagem para ovo. Aí, imediatamente, eu aprendi a ler.
Ah! Então é verdade, “viver dói”!

Acaso o sensível em mim é só para sentir
DOR?

Acaso não me viu? E não vai sentir.

Acaso a música não toca? Você não ouve?

Mais uma vez QUIETA. Não se meta!
Afasta! Também você DE MIM.
É PROIBIDO, não me toque!
Não que eu não goste. Não pode.
Nem você nem ninguém.
O que GUARDO é para ficar guardado.

Em último caso,
ME invade, “de intruso”.
Eu fecho os olhos e ...
faço de conta que nem vi.
Por fim, abafo os sentidos.

e...
porque números e datas são exigidos:

Passados 19 minutos da meia noite de quarta para quinta (22 para 23.09.2010)

E, finalmente, mais uma vez elas secam.
Agora levanta e segue.
Não há tempo
Nem sofrer nem “descanso”