Os
fios brancos...
A
fina membrana que guarda o sangue.
O
sangue em bolhas muito espessas. Um sangue velho.
O
puxar dos fios suave e cauteloso.
São
só fios que seguram os dentes.
A
tensão se instala e ameaça a suavidade e a cautela.
O
puxar dos fios, agora, é o puxar de fios que seguram membranas, que seguram
bolhas muito espessas de sangue e que seguram os dentes. Muito brancos!
Agora,
o desespero instala-se de vez.
Agora,
as mãos trêmulas puxam os fios.
Agora,
o puxar dos fios perdeu-se no desespero.
Não
há mais suavidade nem cautela.
Os
dentes, finalmente caem no mármore barato.
Agora
são ovos e quebram-se.
Agora
é só a grande gema amarela e linda.
A
esperança de ser feliz, agora, está lá, morta, instalada no mármore pobre, e
servida à milanesa.
O
desespero, agora, em passos corridos que descem a escada, que passam pela porta
e seguem sem eira nem beira.
(sentido
em 09/07/2012)